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The first antropos por Dall-E Mini

“E do interior, o Polifemo respondeu:
‘Ninguém me fere com astúcia, não com força’”
(Homero, Odisseia, linhas 407 e 408, Canto IX)

“Estabeleceu, portanto, a óptimo artificie que, àquele a quem nada de especificamente próprio podia conceder, fosse comum tudo o que tinha sido dado parcelarmente aos outros. Assim, tomou o homem como obra de natureza indefinida e, colocando-o no meio do mundo falou-lhe deste modo: ‘Ó Adão, não te demos nem um lugar determinado, nem um aspecto que te seja próprio, nem tarefa alguma específica, a fim de que obtenhas e possuas aquele lugar, aquele aspecto, aquela tarefa que tu seguramente desejares, tudo segundo o teu parecer e tua decisão.’”
(Pico Della Mirandola, Discurso sobre a Dignidade do Homem, p. 57)

“Agora essa Alma está sem nome, e por isso tem o nome da transformação pela qual a transformou. Assim é com as águas das quais falamos, que têm o nome de mar, pois tudo é mar quando elas retornam ao mar. Da mesma maneira, nenhuma natureza do fogo acrescenta qualquer matéria a si, pois faz de si e da matéria uma só coisa, não mais duas, mas uma.”
(Porete, O Espelho das Almas Simples, parte 83)

“Tudo circula e, ao mesmo tempo, tudo parece petrificar-se, permanecer no mesmo lugar. No seio de espaços padronizados, tudo se tornou intercambiável, equivalente.”
(Guattari, Caosmose, p. 169)

“E o homem se constitui assim como uma gigantesca memória, com a posição do ponto central, sua frequência, visto ser ele necessariamente reproduzido por cada ponto dominante, sua ressonância, dado que o conjunto dos pontos remete a ele.”
(Deleuze e Guattari, Mil Platôs Vol. 4, p. 94)

“Que relações existiam entre suas idades?
16 anos antes em 1888 quando Bloom tinha a presente idade de Stephen tinha Stephen 6. 16 anos depois em 1920 quando Stephen viesse a ter a presente idade de Bloom viria Bloom a ter 54. Em 1936, quando Bloom viesse a ter 70 e Stephen 54 suas idades incialmente na razão de 16 para 0 viriam a ser de 17 ½ para 13 ½ a proporção aumentando e a disparidade diminuindo na conformidade em que os futuros anos arbitrários foram adicionados, pois se a proporção existente em 1883 tivesse continuado imutável, concebido isso como possível, até então 1904 quando Stephen tinha 22 anos Bloom haveria de ter 374 e em 1920 quando Stephen tivesse 38, como então Bloom tinha, Bloom haveria de ter 648 enquanto em 1952 quando Stephen tivesse atingido a idade máxima pós-diluviana de 70 Bloom, estando 1190 anos vivos tendo nascido no ano de 714, haveria de ter ultrapassado 221 anos a idade máxima antediluviana, a de Matusalém, 969 anos, enquanto, se Stephen continuado a viver até então teria atingido aquela idade no ano 3072 A.D., Bloom teria sido obrigado a ter vivido 83.300 anos, tendo tido sido obrigado a ter nascido no ano 81.396 a.C.” (Joyce, Ulysses, p.634 [585])

“O homem só é homem na medida em que está entre outros homens e revestido dos símbolos representativos da sua razão de ser. Nu e imóveis, tanto o grande sacerdote como o vagabundo não passam de simples cadáveres de mamíferos superiores num tempo e num espaço destituído de significação, pois deixaram de ser o suporte de um sistema simbolicamente humano”
(Leroi-Gourhan, O gesto e a palavra 2, p. 121)

“O que nós chamamos propriedades do homem – a técnica e a linguagem, a ferramenta e o símbolo, a mão livre, a laringe flexível, ‘o gesto e a palavra’ – são antes propriedades dessa nova distribuição cujo começo só dificilmente se poderia fazer coincidir com o homem como origem absoluta.”
(Deleuze e Guattari, Mil Platôs Vol. 1 p.98)

“O mundo dos sentidos e o mundo do ser são um único e mesmo mundo, o da tradução, da substituição, da delegação, do passe. Diremos, sobre qualquer outra definição de uma essência, que ela é ‘desprovida de sentido’, desprovida de meios para manter-se em presença, para durar. Toda duração, toda rigidez, toda permanência deverá ser paga por seus mediadores.”
(Latour, Jamais fomos Modernos, p.162)

“A maioria, na medida em que é analiticamente compreendida no padrão abstrato, não é nunca alguém, é sempre Ninguém.”
(Deleuze e Guattari, Mil Platôs Vol. 2 p.56)

“O grande fastio pelo homem – isso me sufocou, me havia entrado na garganta: ‘Tudo é igual, nada vale a pena, o saber sufoca’.
Um longo crepúsculo claudicava à minha frente, uma tristeza cansada de morte, ébria de morte, que falava com uma boca bocejante.
‘Eternamente ele retorna, o homem de que estás cansado, o pequeno homem’ – assim bocejava minha tristeza, e arrastava os pés e não podia adormecer.
Numa caverna transformou-se para mim a terra dos homens, seu peito afundou, tudo vivo tornou-se para mim decomposição humana, ossos e passado podre.
Meu suspirar se achava em todos os túmulos humanos e não podia mais levantar-se; meu suspirar e questionar era agourento, sufocava, corroía e lamentava dia e noite:
– ‘Ah, o homem retorna eternamente! O pequeno homem retorna eternamente!’”
(Nietzsche, Assim Falou Zaratustra, O Convalescente)

prefácio