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depois de tudo


Depois do Homem por Dall-E 2

Por agora, acredito que não tenho mais nada a falar sobre o Homem. Não que tenha falado tudo o que poderia falar sobre ele, longe disso – a bibliografia realmente é e sempre será magra, principalmente neste assunto, e não há nada que eu possa fazer sobre isso, a não ser continuar minha pesquisa sabendo que meu objetivo não é atingir completude alguma. Chego a pensar que é por esse motivo que a intuição nos deve ser tão preciosa: diante à escassez de referências, é preciso saber nomear, e não somente sumarizar os nomes racionalmente. Afinal, há muitos nomes ainda a se conhecer, e toda coerência ou divergência descoberta entre eles, por mais precisa que seja, sempre é muito pouco racional, e talvez nunca será inteiramente. Mesmo assim, a intuição e a razão não bastam para explicar a criação do Homem. E, neste ponto, já não estou mais falando da origem das desigualdades de gênero que viemos tratando até então, mas, sim, do surgimento, ou melhor, da invenção desse conceito Homem, o qual certamente foi inventado. Este livro é a sua certidão de nascimento. No entanto, isso não significa que as forças dominantes já não existissem e atuassem previamente no mundo, pelo contrário, foram justamente elas que provocaram a criação desse conceito. Mas, para além da herança deixada pelo Homem, devemos dizer também que a sua criação ultrapassa o cenário histórico e macroscópico que vivenciamos, e parte de um âmbito microscópio, também coletivo, de onde surgiram as primeiras germinações do conceito, localizado exatamente na primeira pessoal do plural, da qual a minha singularidade se tornou um ponto privilegiado. O que gostaria de fazer, agora, é dedicar as últimas palavras deste livro a alguns dos nomes envolvidos na pluralidade de minha primeira pessoa.

Primeiramente, devo dizer que este livro se trata de uma segunda edição e, na verdade, essas considerações finais são mais um registro desse processo de finalização e revisão da obra. É que, quando eu a “finalizei” pela primeira vez, tudo foi feito em meio a um espírito irrequieto, imerso na investigação, no qual os termos se concatenaram um no outro para formar um arranjo expressivo, cujos erros faziam parte da performance. Agora, já em um momento posterior, as coisas se acalmaram, e é possível conferir um acabamento mais merecido à obra. No entanto, pouco alterei da primeira edição, somente corrigi alguns erros ortográficos e reformulei algumas frases das partes extratextuais, com o intuito de suavizar a caminhada de quem por este livro trilhar. O conteúdo dos capítulos, por sua vez, foi mantido idêntico, assim como as epígrafes e a hiperbibliografia. Conceitualmente, houve apenas uma mudança importante, que concerne à morte do Homem, antes entendida como anônima e, agora, como um suicídio subsequente do assassinato de Deus. Além disso, houve a correção de um pequeno erro que gostava muito, localizado logo na capa, impressa com o título Jamais fomos homem, ao invés de jamais fomos Homem. Na folha de rosto, porém, o título tinha sido impresso corretamente, de modo que quem abre essa primeira edição não apenas note o erro, como também possa criar um sentido para essa dupla afirmação, tendo em mente as diferenças conceituais que há entre o Homem com H maiúsculo e homem com h minúsculo. Mas, para ser justa comigo mesma, acabei corrigindo a capa, mesmo guardando este erro com carinho, como um desses potencialmente poéticos, que dizem mais do que pretendíamos e povoam um domínio criativo da espontaneidade, localizado para além da racionalidade. De resto, todas as retificações feitas nesta edição tiveram o intuito de diferenciá-la da primeira, pois, a mim, tanto as falhas quanto o refinamento tornam ambas edições individuais. E esse refinar não deixa de ser importante, pois foi nele que pude entender mais apropriadamente o processo que me conduziu até esta crítica do universal, expressa pelo conceito Homem, que, espero eu, não mais sirva só a mim ou a este livro. E, se houve algum sucesso em relação à essa busca, foi ter encontrado este conceito e, meses depois, ver que ele ainda vigora, cresce e inspira minhas investigações. No mais, esta segunda versão se deve mais especificamente ao apoio da Secretaria de Cultura de Niterói, que, através do edital Ativos Culturais 2023, forneceu meios financeiros para realização dessa reedição.

Além disso, devo meus agradecimentos sinceros ao curso de Artes da Universidade Federal Fluminense, assim como à própria universidade. Se no posfácio disse que essa obra foi meu trabalho de conclusão do bacharelado, concebido em novembro de 2021 (mais especificamente no dia 3, às 15:28, quando enviei ao meu orientador o primeiro e-mail sobre o projeto) e finalizado no dia 8 de julho de 2022, quando assinei o posfácio (sem nem ainda ter escrito o anexo, que, a mim, é um importantíssimo subproduto dessa investigação), agora posso dizer, olhando para trás, que, na verdade, jfH decorreu de uma contínua investigação com a qual prossegui nestes últimos 5 anos que passei no IACS. E, apesar de todos os problemas envolvidos nesta formação, inclusive os 2 anos de pandemia, acredito que o programa de artes da UFF, para além de ter me apresentado caminhos para estudar a arte contemporânea, me incitou a um importante grau de independência artística e intelectual a partir da experimentação e investigação livre. E quanto a isso, desejo agradecer, mais especificamente, aos meus orientadores, Luiz Sérgio de Oliveira e Jandir Jr., pela solicitude, apoio e confiança durante o processo, quase patafísico, de investigar o surgimento do Homem por meio de minhas próprias referências. Jandir, o qual tive oportunidade de ser uma de suas primeiras orientandas, foi e continua sendo, a mim, uma grande e afável fonte de inspiração e conhecimento em tudo que concerne à problematização da escrita, da arte e da academia, questões bastante centrais ao trabalho, que não seriam as mesmas sem ele. Igualmente, sou profundamente grata pela orientação zelosa de Luiz Sérgio, que, muito além de corrigir e direcionar, me fez ter mais estima e confiança em minha própria investigação, me encorajando e auxiliando como um verdadeiro mestre, que confiou este projeto em minhas mãos para, a cada etapa, verificar se eu continuava seguindo meu próprio curso de emancipação artística-intelectual. Além disso, não tenho como esquecer a enorme ajuda que os dois me ofereceram na realização da banca de conclusão do curso. Realizada no dia 15 de setembro de 2022, no Museu de Arte Contemporânea de Niterói, a performance de conclusão de curso ocorreu no mezanino do museu, com projeções de slide em dois pontos diferentes, os quais marcaram as duas metades da apresentação. Usando o vestido verde que menciono no anexo, durante a primeira parte da banca apresentei o livro, capítulo por capítulo, explicando a ideia geral do trabalho e lendo algumas passagens geradas pelos algoritmos; já na segunda metade, tentei explicar o conceito do Homem em suas 4 metamorfoses, dando mais atenção à parte conceitual do trabalho. O evento aconteceu durante um dia aberto à visita, com presença de transeuntes, professores e alunes de artes e pessoas muito queridas a mim. Portanto, agradeço enormemente não só ao público, mas também à comissão de acompanhamento, que presenciou e avaliou a performance: Agrippina R. Manhattan, Jandir, Luiz Guilherme Vergara, Luiz Sérgio, Ricardo Basbaum, Tato Taborda e Hélio Carvalho, que levou sua turma de ingressantes do curso. Também agradeço à equipe do MAC, que se mostrou solícita em todas as ocasiões que precisamos, em especial ao diretor Victor de Wolff pela recepção e confiança, e ao seu assistente Tomás, que tanto nos ajudou na montagem e realização. Além disso, gostaria de agradecer à Gabi Bandeira, na época, mestranda de Artes da UFF, com quem tive aulas durante a graduação e que, para além da universidade, me ensinou e ofereceu oportunidades de aprender na prática o processo de fabricação de um livro, desde o registro e diagramação, até a impressão e encadernação – amizade e ensinamentos dos quais este livro precisou para ser realizado.

Ainda, desejo agradecer profundamente às amizades que indiretamente, mas não menos, influenciaram este livro. Sobretudo, devo meus agradecimentos ao grupo de amigues que me acompanhou durante a graduação, o qual chamamos de Trash do Trash, um coletivo mais de amizade do que de arte, que foi a verdadeira base de afetos pela qual pude crescer e perdurar no decorrer dos semestres longe da família e de antigos amigos. É que, agora, consigo ver como mudamos e nos formamos juntes, e, mais do que nos poucos momentos que produzimos juntes, penso que foram nos nossos encontros, na pura presença mútua de nossos corpos, rindo, dançando e em silêncio, aquilo que me fez entender em muito do que sou hoje, inclusive na minha produção artística e filosófica. Dedico, então, este livro a vocês, Juliana Sutil, Loren Minzú, Luana Gatti, Rafa Rocha, Rebeca Tolmasquim, Renon Rybka, Sumé Vasconcellos e Zex Xis. Além disso, gostaria de agradecer enormemente ao Lucas Barbosa e Athos Sampayo pela sempre solícita ajuda em questões técnicas dos meus trabalhos, amigos aos quais recorri tantas vezes para entender como um algoritmo ou expressão matemática funcionam. Por fim, agradeço ao Bruno Yazeji pela infindável conversa que levamos, na qual praticamos um exercício clássico da filosofia através do embate de problemas e conceitos que levamos por vias tão distintas, conversas nas quais pude imaginar, desenvolver e reformular minhas referências por meio das momentâneas interseções de certeza que descobrimos em nossas falas.

Por último, concedo meus agradecimentos mais íntimos aos meus pais, Ronald e Carina Machado, pelo enorme apoio e carinho que a mim ofereceram por toda a minha vida, dos quais fico profundamente feliz de herdar e dar continuidade ao desejo de estudar. E, enfim, agradeço à Luana, minha companheira, com quem eu construo mais intimamente meu pensamento, minha identidade e memória, que tanto ter me incentivou e apoiou por boa parte de minha formação artística e universitária. Em verdade, foi em diversas de nossas conversas cotidianas, em especial nas quais trocamos nossas perspectivas tão diferentes, mas tão convergentes, sobre gênero, que nasceram muitas das ideias que me levaram a este trabalho.

É com todos esses nomes, e com toda a rede de nomes que neles e em mim está implicada, que desejo dividir a autoria deste livro, inclusive com você, leitore.

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